Mediocre

Eu não possuo riqueza, nem a tez branca realçada pela palidez das porcelanas, nem o reflexo dos cetins, nem o verniz dos belos móveis.

Não tenho posses, não tenho bens. Minha saúde não é mantida por regime discreto de alimentos requintados.

Meu olhar é apaixonado porque paixão é escassa. Não flutuo na quietude das paixões, elas são escassas em minha vida, me esforço em ter vaidade.

Não viajo, não conheço outros lugares, não tenho histórias, mal saio da minha maldita rotina.

Não tenho habilidades apaixonantes.

Não sei valsar, não sei conduzir, não sei como te arrebatar, não te deixarei ofegante.

Logo, você não irá apoiar a cabeça em meu peito, o meu peito apaixonado e triste, não pensará em mim, me esquecerá.

Sou a província rural, entediante e vagarosa, de pouco requinte, a extrema monotomia. Constrato abruptamente com seus sonhos.

Vida e inteligência modesta, a discrepância entre o real e o seu ardente desejado. Sou sua angústia e depressão.

Você quer uma distância segura de mim.

Não te arrebatarei do seu cotidiano, sou Charbovary, a terrível realidade.

2 months ago
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